terça-feira, 14 de julho de 2009

COMO UM TRONCO DE ÁRVORE NA TEMPESTADE


Era um homem bom e temente a Deus. Pastoreava uma igreja antiga que possuía muitos membros da própria comunidade. A igreja foi construída há muitos anos, no alto da colina mais alta da cidade. De onde se olhava podia enxergar o topo de sua torre que se destacava da construção.
Por outro lado, a cidade se desenvolveu ao redor dela e próximo a uma represa, de onde era gerada toda a energia elétrica que a cidade consumia. Era uma população ativa e próspera.
Durante uma tremenda tempestade que assolou a região por alguns dias, houve uma enchente devastadora que fez com que o nível das águas do rio que cercava a cidade, subisse e alagasse as partes mais baixas.
A Prefeitura decretou estado de atenção e pela rádio da comunidade avisou a população para que fosse abandonando suas casas e procurando outros locais. Temia-se que a força das águas pudesse romper a barragem, o que provocaria uma catástrofe sem precedentes.
A população começou a abandonar suas casas carregando apenas poucas peças de vestuário e algumas coisas importantes e foram se deslocando para as partes mais altas da cidade que aquela hora, já começava também a se encherem das águas da chuva e do rio alagado.
Mas a chuva aumentava e o nível das águas também. Avançando e expulsando cada vez mais, a população que já em boa parte, saia da cidade pela única saída que ainda permitia a passagem de carros. A Defesa Civil do município retirava as pessoas das casas e disponibilizava caminhões, ônibus e todo tipo de veículos, para retirar as familias para fora da cidade. A cidade estava sendo em boa parte esvaziada por terra pela única saída terrestre, que era uma grande ponte sobre o rio transbordado.
Muitas pessoas da comunidade, membros ou não daquela igreja, já lotavam as dependências do templo e seus salões e escritórios foram sendo ocupados pelas familias que encontravam ali, um refúgio da tempestade que estava arrasando a cidade. O Pastor e sua familia, se desdobravam para atender a todos, dando o seu apoio e assistência emocional aos que se desesperavam pela perda dos seus lares.
Ante a iminente catástrofe, o exército, a polícia e os bombeiros, evacuavam a cidade por todos os meios, quando a força das águas arrastou a ponte que ligava a cidade, fechando de vez a saída terrestre para a fuga da população. O exército retirou as famílias que haviam se refugiado na igreja, mas alguns membros, a exemplo do seu líder, diziam que aguardariam a providência de Deus para salvá-los e assim permaneciam em vigília de oração. Apesar dos apelos do oficial de resgate, o pastor se recusou a ser socorrido e abandonar sua igreja, dizendo que Deus iria providenciar o livramento. Os bombeiros vieram com barcos, retirando o resto das pessoas que estavam na igreja, que já estava parcialmente alagada. O pastor e sua familia ainda resistiam aos apelos dos bombeiros e procuravam se refugiarem na torre, que era àquela altura, o único lugar livre das águas. Eles oravam a Deus e clamando iam subindo os degraus da torre que levavam ao topo onde havia uma janela de onde se podia avistar todo o vale inundado e as cumeeiras de alguns prédios altos que apareciam por cima das águas. A represa de fato havia se rompido finalmente e o volume de água represado agora arrastava tudo em volta. A Guarda Nacional enviou um helicóptero para retirar o pastor e sua familia ilhados naquela torre. A sua esposa e dois filhos subiram e foram enfim resgatados, mas o pastor, mesmo diante de todo aquele apelo e a vista do fim iminente, disse ao piloto do resgate: "Eu tenho fé de que Deus proverá o livramento, pois Ele é fiel; Deus vai me enviar o socorro do céu!"
O helicóptero se foi levando a familia do pastor. Não havendo mais degraus para subir, aquele homem bom e temente a Deus, viu-se obrigado a se dependurar no telhado da torre da igreja, que era enfim, o último lugar que aflorava das águas. Ali, sozinho, já com a água pelo peito, ele clamava aos céus, quando algo flutuando, esbarrou em seu corpo quase submerso. Era um pedaço grande de tronco de árvore que fora arrastado pela correnteza e que permanecia boiando naquela imensidão. O pastor continuou orando e pedindo o socorro de Deus até o fim; o seu fim.
O bom homem abre finalmente os olhos e se vê diante do trono de DEUS. Seus olhos surpresos com aquele cenário maravilhoso do céu. Aquela deslumbrante paisagem e a atmosfera de harmonia e serenidade, contrastantes com o brilho fulgurante de Deus. Então o pastor se aproxima do trono e reclama: - "DEUS onde estava o Senhor que não me enviou o socorro pelo qual tanto clamei?" E então a voz que saía do trono respondeu-lhe: - "Filho meu, quem você pensa que lhe enviou a defesa civil? Quem você imagina ter-lhe enviado os bombeiros? Você tem noção de quem lhe enviou aquele helicóptero? E então por fim, meu piedoso e obstinado filho, quem você acredita que lhe enviou aquele tronco de árvore, hein?"

Com essa ilustração, nós os que cremos na providência de Deus, podemos aprender algumas lições. Mas aquela que me motivou a escrevê-la, é a de que sabemos pedir; sabemos suplicar; conseguimos detalhar nas nossas petições a forma, a cor, o cheiro e até mesmo o valor daquilo que queremos. Colocamos diante do altar de Deus, tudo aquilo que acreditamos ser necessário, imprescindível até, para nossas vidas. Alguns chegam mesmo a "determinarem" para Deus, o que, como, onde e quando as providências do Senhor devem chegar.
São assim mais que um pedido ou uma súplica, são ordens que queremos ver cumpridas em nossas vidas, como se fôssemos "os reis da cocada preta."
Profetizamos em nosso próprio nome considerando como fosse em nome do Senhor. Invertemos os papéis e trocamos as posições. Pedimos e contudo não recebemos, porque somos presunçosos.
Assim, evidentemente, não percebemos as coisas simples porém oportunas, que se apresentam em resposta como aquele "TRONCO DE ÁRVORE NA TEMPESTADE" que vem em nosso socorro, simplesmente porque não tem a "aparência" da dádiva que esperamos; que determinamos em nossa arrogância.
Esse entendimento, ou seja, o de determinar para Deus o formato da benção, tem causado muitas confusões e até dissensões entre o povo de Deus. Todavia, a Palavra de Deus nos exorta sobre isso também. "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites."
Sim, se pedimos o que queremos e Deus nos envia o que apenas necessitamos, vamos murmurar ou desprezar o que recebemos em resposta? Vamos? Não, né!

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos." (1 João 5:14-15)

Um comentário:

Mario Herzog Bragança disse...

Ola Gerson
Eu conhecia esta estoria bem condensada e sempre contada como piada. Gostei porque voce detalhou bastante o que deu um tom veridico ao relato e voce trouxe uma verdade espiritual ao coracao dos seus leitores, que certamente vao tirar proveito do ensino. Muito legal. Saí edificado.
Abracao

Mario