domingo, 17 de junho de 2012

TEU AMOR ME CURA


Sabe aquela parábola contada pelo Mestre Jesus nos Evangelhos - O Filho pródigo? Talvez seja a mais citada e a mais lembrada daquelas tantas usadas por Jesus para ensinar seus seguidores a pensar sobre as coisas do espírito. Coisas que não podiam ser discernidas pelas mentes cheias das crenças coletivas daquele povo.

Toda vez que leio novamente a mesma história do filho pródigo, acabo observando alguma coisa diferente daquela que havia enxergado antes. Isto é enriquecedor para a minha vida, pois cada lição, me dou conta que há muito que ser aprendido naquilo que pensava já saber.

Na parábola que todo mundo já tá careca de ouvir, o filho mais novo de um rico senhor, exigiu a sua parte na herança e saiu pelo mundo para torrar até o último centavo. Lembra disso? (Lucas 15:11 a 24)

Tem aquela parte da comida dos porcos que é um nojo só, mas que foi o ponto crucial, o fundo do poço em que aquele filho tomou a decisão de voltar a casa do pai com o rabinho entre as pernas.

Ao lembrar-se da casa do pai, as mordomias, a fartura, a comida, e o tratamento que até os servos da fazenda desfrutavam na casa do seu pai, e se vendo a desejar comer das bolotas dada aos porcos, ele se arrependeu e tomou a decisão de voltar.

Aqui uma pequena pausa para falar sobre a palavra Arrependimento. Na Bíblia Sagrada, esta palavra de origem grega - metanoia, significava "mudar de ideia". É como se alguém que estivesse indo em uma direção, repentinamente, mudasse radicalmente a direção e tomasse uma direção absolutamente nova. Pegou a ideia, né?

Até ai, tá tudo normal, mas na minha releitura, percebi uma coisa incrível que modifica completamente o jeito de entender esta parábola. Consegui perceber o jeitão do pai se antecipando ao pedido de perdão, preparado pelo filho enquanto humilhado voltava ao lar paterno.

O pai ao vê-lo ainda distante, correu até o filho e o abraçou gostosamente. Não o repreendeu pelo que havia feito com a sua herança, e nem o recriminou por voltar para casa naquele estado. O pai apenas o abraçou com força e demonstrou todo o amor que nutria pelo seu filho gastador.

Não é o que se espera de um pai? Você faria deste jeito também?

Na narrativa de Jesus, ele parece querer dizer que a sua preocupação é muito maior com o pecador do que propriamente com o pecado cometido.

Nesta minha releitura foi o que mais me chamou a atenção. Deus, na figura do pai amoroso, está preocupado com fato do seu filho haver se arrependido e voltado para ser reconciliado com o pai. O Pai parece estar muito mais preocupado em reatar um relacionamento do que julgar, condenar o ato.

Quer ver só? Leia o texto original de novo, e perceba o que percebi. Procure no texto e nas entrelinhas, alguma menção condenatória feita pelo pai. Leia!

"Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se." (Lc. 15:11-24)

Percebeu?

Não?

Leia de novo com atenção.

Sabe, para mim ficou patente que Jesus queria ensinar seus discípulos que o Pai não queria que o filho se sentisse mal pelo seu pecado, mas com o seu gesto de pura compaixão, queria ajudar seu filho a mudar. Ele sabia que o seu filho havia sentido o impacto do seu erro. Sabia que estava sentindo um fardo terrível pela culpa que esmagava sua mente e espremia seu espírito angustiado. Ao invés de julga-lo, condena-lo, repreende-lo e puni-lo, ele acolheu com compaixão e carinho. Tirou o erro do foco e demonstrou efusivamente o quão importante o filho era para ele. Ficara feliz por voltar a se relacionar com seu filho.

Eu percebi com muita clareza, que assim como o pai da parábola, o Pai nosso, está mais preocupado com reatar, religar, renovar o seu relacionamento com o pecador do que puni-lo. O perdão foi concedido muito antes da declaração de arrependimento feito pelo filho.

Deus sonda, esquadrinha os corações. Ele sabe os pensamentos que estão pipocando em nossas mentes. O Pai nosso tem pensamentos muito, muito mais elevados ao nosso respeito para ao final, nos dar aquilo que tanto desejamos. O Pai quer se relacionar com seus filhos e somente é preciso fazer o que o filho pródigo fez. Ele "mudou de ideia", se levantou de onde estava e foi ao encontro do pai.

O Arrependimento gera transformação e alcançado o perdão, cura o pecador, aliviando do seu fardo. Sem o arrependimento o pecador sofre sozinho a dor e os males impostos pela culpa. Jesus disse que não veio para julgar o mundo, mas salva-lo.

"As pessoas sábias estão sempre preparadas para mudar de idéia e de atitude; as tolas, jamais."

Todos nós temos muita semelhança com o filho pródigo. Achamos que podemos lidar com as nossas "coisas", com a nossa vida como nos der na telha. Usamos muito mal esta capacidade de escolher e via de regra, damos com os burros nágua. Isto porém parece fazer parte do comportamento humano: Errar. Mas Jesus insiste em dizer que o Pai quer se relacionar com os seus filhos de um outro modo, em um outro nível, e é por isto que Ele acolhe a todo filho que se arrepende e busca o seu perdão incondicionalmente.

Percebendo isto, meu coração, minha alma se reveste de uma sensação de paz e é reconfortada pelo acolhimento generoso do Pai. Posso viver sem culpa. Posso viver sem medo. Posso ser livre. Posso conviver contente e satisfeito, celebrando a vida abundante na presença do Pai nosso.

O ensino de Jesus é para que façamos assim uns com os outros. Ao invés do julgamento, o acolhimento. Porque precisamos uns dos outros para sermos tratados, estimulados, erguidos, e curados.

Senhor, é o teu amor que me cura.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

PARA ENCHER É PRECISO PRIMEIRO ESVAZIAR


Outro dia eu esbarrei com um antigo ditado que dizia: "Quanta água você consegue colocar em um barril de óleo de vinte litros? Nenhuma. Primeiro temos que tirar um pouco do óleo."

Houve um tempo em que eu estava cheio de muitas convicções a respeito de tanta coisa que aprendera até aquele momento da minha vida, que já estava muito difícil ouvir calmamente uma segunda opinião.

Hoje devo confessar que minhas crenças, pelo menos uma boa parte delas, me impediam de crescer e de evoluir na minha capacidade de enxergar novos olhares sobre aqueles mesmos temas.

Tenho agora a impressão que eu me tornara um cara intolerante ao ponto dos meus amigos me preterirem quando determinados assuntos eram tratados entre eles. Acho até que perdi algumas reuniões, festinhas e alguns outros eventos por causa de minhas convicções inflexíveis naqueles tempos da juventude.

Muito cedo ainda, eu já possuía um "barril" completamente cheio de óleo que quase transbordava a uma simples tentativa de colocar uma gota de água. Isto me impedia de aprender além das minhas crenças e obviamente, de expandir minhas fronteiras intelectuais.

Além de empobrecer os diálogos, provavelmente ainda provocava estranhezas nos relacionamentos entre colegas e amigos.

No entanto, eu não diferia muito deles. Naqueles tempos de muitos hormônios nas veias e poucas conexões no cérebro, a gente não adquiriu o hábito, por exemplo, de falar do que sentíamos ao invés do que pretensamente sabíamos. Claro, falar sobre o que se sentia era coisa de fracotes e de meninas, não era? Pois bem, com o "barril" cheio, ideias preconcebidas também tínhamos de sobra, viu?

O fato era que estávamos completamente, transbordantemente com os nossos "barris" sem espaço para aceitarmos qualquer argumento, suficientemente bom para abandonarmos as nossas certezas. Tolices da mocidade, não é mesmo?

"As pessoas sábias estão sempre abertas a novas ideias e crenças, e até a respeito de si mesmas."

Mas até que enfim a gente cresceu, amadureceu, alargou os espaços das nossas mentes ao esvaziarmos uma boa parte do nosso "barril" e pudemos experimentar novas e renovadas ideias, que alteraram significativamente nosso modo de enxergar a vida. Sim, adquirimos uma consciência do nosso significado nesta existência, para nós e para a sociedade que vivemos.

Nosso comportamento passou a refletir essas mudanças de dentro para fora. Ficamos mais tolerantes e menos intransigentes. Conseguimos estabelecer padrões menos rígidos, menos dogmáticos, para encaixotar as pessoas que se relacionam conosco. Nossas percepções de mundo, de valores, de religiosidade, de fé e a nossa consciência de Deus, também amadureceram, evoluíram, foram renovadas como vinho novo colocado em odres novos.

Acho que estamos melhorando cada dia mais  daquilo que já fomos. Você também não acha isso de si mesmo?

Se o entendimento que tenho hoje, a sensibilidade para perceber o que diz a outra pessoa, a paciência para escutar seus argumentos, e a humildade para reconhecer as falhas nos meus próprios argumentos, talvez alguns dos meus amigos, ainda seriam os meus melhores amigos. Que pena que alguns deles ainda não esvaziaram um pouquinho seus "barris de óleo" para caber a nossa velha grande amizade. Sim! Porque para enchermos as nossas mentes de coisas novas e boas, é preciso primeiro nos esvaziar daquelas velhas opiniões formadas sobre tudo, né não?

sábado, 9 de junho de 2012

APENAS MAIS 30 SEGUNDOS


Todas as coisas que podemos realizar facilmente, serenamente, focadamente, são completamente perturbadas quando as tentamos fazer sob pressão, sob estresse. Já perceberam isto?

Ao dizer isto, lembro-me , que procurando um determinado documento e depois de ter revirado gavetas e bolsos das roupas, armários e pastas, já sem paciência, cada vez mais estressado desisti do compromisso.

Então, depois de alguns minutos em que coloquei meus pensamentos em outros assuntos, a minha memória aliviada da ansiedade inicial, liberou um pensamento sutil na
minha mente: "Já procurou no lugar mais óbvio? Já? Pois vá lá e procure outra vez. Vá!"

Via de regra aquilo que procuramos quando estamos debaixo de extrema ansiedade, sob forte estresse, acaba bloqueando a passagem da imagem, o registro no cérebro e então a visão consciente do objeto parece não se fixar nas nossas mentes, mesmo tendo os olhos postos sobre ele. Vemos mas não enxergamos. Cegados pela ansiedade.

Claro que depende muito da personalidade de cada individuo, mas a ansiedade é um inimigo íntimo que joga contra a gente dentro das nossas próprias fronteiras. Tolices que não costumamos cometer em situações de conforto, são facilmente cometidas quando submetidos as fortes emoções pressionando as nossas mentes ao ponto de agirmos como cegos atrapalhados, tateando em um lugar escuro e desconhecido.

Assim é que muitos erros acontecem com frequência em locais estressantes, com alto grau de responsabilidade, de necessidade de acuidade visual e perícia de ações. Erros médicos são cometidos com muita frequência e ocupam a todo momento, as páginas dos jornais e espaço nos telejornais. Atletas se atrapalham nas rotinas esportivas que estão exaustos de tanto repetir e que de repente, parecem esquecer completamente. "Dá um branco."

A ansiedade também é ingrediente sempre presente em situações de tragédia social. Violências inexplicáveis, agressões inesperadas, crimes que envolvem paixões após discussões, brigas e qualquer tipo de desinteligências.. As pessoas reagem transtornadas. É comum ouvirmos que em um crime passional, se dizer: "Estava cego de paixão!" A consciência deu um "apagão" geral.

Em um mundo tão competitivo com relações cada vez mais predatórias da consciência do que se quer e dos limites para conseguir o que se quer, as pessoas estão cada dia mais ansiosas. Uma ansiedade patológica que adoece os relacionamentos e enferma a nossa sociedade.

A gente se vê assim, tão incluído, tão enfiado dentro do processo de consumir e no qual somos consumidos também, que estamos perdendo a moderação, o equilíbrio, a capacidade de refletir, de pensarmos antes de falar e agir. A ansiedade está bloqueando mentes privilegiadas e nivelando por baixo os comportamentos de gente sadia com as de doentes.

Eu li em algum livro de psicologia (ou foi de filosofia?), que a maioria dos erros, das falhas, até mesmo dos crimes, são impulsionados, acontecem nos primeiros trinta segundos após uma ocorrência de forte estresse. Assim podemos imaginar que se as pessoas conseguissem um pequeno fôlego, uma pequena respirada, uma breve pausa para que o cérebro recebesse oxigênio e girasse a nossa consciência, provavelmente não veríamos tantos crimes bárbaros acontecendo tão próximos da gente, quase respingando em nós, não acha?

Tantas palavras impulsionadas pela ansiedade, pelas preções das circunstâncias que causam tanto mal-estar, tanta mágoa, tanta raiva e tanta reação adversa.

Quantas amizades destruídas em apenas trinta segundos.

Quantas separações motivadas por uma carga negativa acumuladas em muitos trinta segundos de explosão.

Já pensou se tivéssem esperado um pouquinho a mais? Tivessem refletido por uns dois ou três minutos, esperado que a mente retomasse o domínio dos pensamentos, hein?

Poderia ser a diferença entre um sofrimento causado por uma separação e uma agradável reconciliação; salvar uma vida ao invés de uma tragédia.

Pois é. Se a gente também esperar um pouco mais que 30 segundos antes de meter os pés pelas mãos, e ao invés disto, utilizar a "oração dos sábios" - o silêncio, poderemos evitar o nosso próximo erro e a próxima crise, né não?

Ah! Lembra aquele documento que eu procurei tanto? Estava na minha carteira, exatamente onde deveria estar. Que coisa, hein? Até parece que sou cego, viu!  

"Quem é tardio em irar-se é grande em entendimento; mas o que é de ânimo precipitado  exalta a loucura." (Provérbios 14:29)

terça-feira, 5 de junho de 2012

A PRIMEIRA IMPRESSÃO É A QUE FICA


Na imensa maioria das vezes a gente está tão convicto de estar certo que sequer se cogita de haver um outro ponto de vista que por diferir do nosso, possa estar certo também.

Ao estar convicto daquilo que vê, daquilo que enxerga do ângulo em que se está olhando um determinado objeto, tem-se que mudar completamente e ir por todos os lados do objeto, para então se ter a visão global, que certamente será diferente daquele primeiro olhar.

Muito embora tudo isto possa nos parecer lógico, na prática a gente não tem o trabalho, o cuidado de proceder assim. "A primeira impressão é a que fica", diz o ditado popular, não é? Admitir que se estava errado e "dar a mão à palmatória" é muito mais difícil para alguns do que para outros. Arrepender-se então? Menos ainda.

Pensando nisto, eu fico me perguntando o por que que agimos assim quando descobrimos que nossa primeira impressão nos levou a uma ideia preconcebida que não correspondia a verdade. Criamos rótulos para pessoas e as enquadramos em uma lista de impressões, sem qualquer conhecimento real sobre elas. Nutrimos por algumas um sentimento preconceituoso, uma antipatia gratuita que não possui nenhum fundamento uma vez que nem sabemos nada dela.

Pior que isto é que existem algumas pessoas que possuem uma mania perniciosa demais para ser aceita que é a de espalhar algo como se fosse um fato, criando um boato tão devastador e tão incontrolável, que causa um prejuízo enorme para aquele que foi alvo daquele falso fato.

Sim, existem muita leviandade, muita maledicência no meio da nossa sociedade. Muito preconceito e muita  hipocrisia também.

Penso que as pessoas nobres, honestas, de bom caráter, podem evidentemente cometer algo semelhante. Ninguém está livre de cometer erros de avaliação e juízo precipitado por uma primeira impressão.

Talvez a diferença seja a de que pessoas com este perfil, possuem a dignidade e a humildade para encarar o erro, arrepender-se, pedir perdão e ainda por cima, tentar a reparação dos eventuais prejuízos. Claro, nem sempre este último é possível, mas ela estará disposta a fazê-lo sinceramente, honestamente. São raras tais pessoas, podem crer.

Por outro lado, seja por orgulho ou por vaidade, por vergonha ou apenas por covardia, a maioria daqueles que descobriram que suas primeiras impressões, suas convicções cheias de preconceitos, que causaram danos a moral, do emocional e até do funcional de uma pessoa estigmatizada por causa de uma fofoca, jamais terá a coragem de admitir e reparar os danos.

Sinceramente eu não sei como é que coisas assim, podem ser evitadas. Não imagino como é que as pessoas podem deixar de se basear em "primeiras impressões", o primeiro olhar lançado rápido e displicente sobre uma pessoa ou um fato, para acreditar que pode emitir opinião e juízo sobre amos. Não sei, você sabe?

Em algum momento das nossas vidas, fomos alvos dessas impressões e das ações impulsivas geradas à partir delas. Você já foi rotulada alguma vez? Por causa disso, você se sentiu preterida? Já foi estigmatizada por causa de maledicências? Muito bem, então você sabe o quanto dói, né?

Pessoalmente eu creio que essa máxima de que "é a primeira impressão que fica" é coisa de ignorantes, de preguiçosos, coisa de gente medíocre que não sabe a que veio neste planeta. Nossas mentes enxergam o mundo pela consciência que temos. Se temos uma boa consciência e somos equilibrados, saudáveis e preparados, nosso julgamento, nosso olhar irá perceber à primeira vista, à primeira impressão, o quanto ainda temos que conhecer sobre aquela pessoa, sobre aquele fato, para então emitirmos algum juízo de valor; ou não.

Cuidemos do nosso olhar, do nosso agir, do nosso falar. Não sejamos contaminados por primeiras impressões, tá bom?

"A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso. Vê, então, que a luz que há em ti não sejam trevas." (Jesus - Lc. 11:34-35)

domingo, 3 de junho de 2012

MAIS QUE PÃO E CIRCO



"E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Rm. 12:2)

A gente apenas recebe o dom da vida, o fôlego, a consciência, o poder de pensar e falar, e já sai por aí achando que é somente pão e circo. Eu tenho certeza, diria até mais: Eu tenho plena convicção no meu ser, de que isto não é o suficiente para os seres humanos, não é não!

Recebemos um dom fantástico que nos diferencia de todo restante da criação. Um poder outorgado por Aquele que botou o seu próprio fôlego em nós e nos diferenciou dos demais seres, com vontade própria para livremente escolher, o que, onde e como fazer o que se quer fazer. Ao que chamamos entre nós de "Livre-arbítrio".

Sim, esta qualidade nos torna semelhantes Àquele que nos fez a sua própria imagem. E além de nos tornar livres para decidir, o que, onde e como, fazer o que queremos fazer, traz consigo toda a responsabilidade por cada uma das nossas escolhas.

Eu enxergo nestas afirmações, toda a potencialidade que existe em nós para termos uma existência com qualidade e bem-estar. Isto me dá uma dimensão sem fronteiras para aqueles que decidem explorar suas próprias potencialidades. Mas é preciso querer, é necessário não temer o experimento do viver. É preciso não nos conformarmos com a mediocridade deste mundo.

Há mistérios escondidos em cada volta do relógio e em cada curva do tempo, há surpresas a serem experimentadas. Não está tudo "escrito" e a nossa história não está predeterminada pelo acaso. Acomodarmo-nos a isto é acreditarmos que aquele que nos desenhou com incrível capacidade de escolher, pregou-nos uma peça, uma pegadinha sem graça.

Sim, há muito mais que pão e circo para experimentarmos nesta vida. Breve vida, porém surpreendente e bela também.

Se decidirmos abdicar deste dom e apenas escolhermos viver a mediocridade do pão e circo teremos deixado de usufruir todas as possibilidades que o "livre-arbítrio" nos permite viver. Por isto é que precisamos considerar que esta existência não está decidida por nós, e que ela nos é permitida existir para experimentarmos o melhor desta terra. Assim é que todas as coisas que foram igualmente colocadas nesta existência, são para que os homens e as mulheres pudessem usufruir delas, desvendar seus encantos e descobrir os seus mistérios.

Sim, há mais que pão e circo nesta existência. Só é preciso escolher viver esta existência com amor e curiosidade. Não nos conformarmos com o óbvio, com o lugar comum. Não tomarmos pura e simplesmente a forma, o formato deste mundo sem objetivos, sem sonhos, sem esperança, sem a consciência de Deus. Conhecer também os nossos potenciais e neles acreditar. Desenvolver nossa autoestima desbravando a imensidão desta criatura fantástica que somos nós. Porque não fomos feitos à semelhança e imagem do Criador para apenas e tão somente nos contentarmos com pão e circo nesta existência. Eu não consigo crer que seja apenas isto, não consigo! Seria então um desperdício do Criador, um investimento sem retorno.

As dificuldades do caminho não são sempre obstáculos, mas sim desafios para estimular esta capacidade que temos para criar as alternativas de transpor cada um deles. Não é para nos conformarmos e estacionar diante deles e vertemos uma ou duas lágrimas de frustração. Se não acontecer o que sonhamos ou não conseguirmos o que acreditamos que merecemos ter, façamos então do que conseguimos ter algo para gostar de ter. E ainda assim,  nunca deixar de sonhar com o melhor desta terra e nos esforçarmos para alcançá-lo.

Se não temos o melhor emprego, o melhor marido e a melhor esposa, o melhor pai ou o melhor filho, o melhor amigo e amiga, a melhor sociedade ou o melhor país, sempre poderemos escolher outros para gostar, porém, não poderemos jamais escolher outro de nós mesmos nesta existência. Não podemos abandonar nossas consciências sem extinguir a fagulha do Criador que nos deu vida. Ele, por sua vez,  quer que vivamos uma vida abundante, uma existência estimulante e cheia de incríveis descobertas.

Sejamos menos críticos de tudo.  Menos  exigentes com nossos pares. Menos cobradores e menos expectadores da vida. Pois somos todos, todos nós, seres imperfeitos e há nesta imperfeição um vasto terreno para desvendarmos e segredos para serem revelados a nós por nós mesmos. Somos assim, grandes mistérios que precisamos desbravar para encontrarmos o melhor de nós para nós e para aqueles a quem amamos nesta existência. É preciso descobrirmos a partícula divina que reside em nós, e usa-la nesta única existência neste chão, nesta porção que nos coube vivenciar, que acredito ser muito, muito mais que somente pão e circo.

Somos livres para escolher a nossa própria comida e a nossa diversão!

Quero mais desta existência, você não?

"Ser livre é ter um caso de amor com a própria existência e desvendar seus mistérios". (AUGUSTO CURY)

sábado, 26 de maio de 2012

CORRA PARA O COLO DO PAI


"Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares." (Josué 1:9)

O Medo é uma coisa muito natural em nós. Ter medo de alguém ou de alguma coisa é normal na gente e o difícil é não tê-lo nesses dias perversos, impregnados de atos cruéis, estupidez e insanidade.

Quando se é pequeno (algo que certamente fui tal como você), a gente tem um recurso prático e muito seguro para nos defendermos quando o medo se achega ao nosso coração. Eu não sei se você se utilizava desse expediente dos meninos peraltas, que quando depois de uma molecagem mal sucedida se via acuado, buscava proteção junto ao pai. Eu fazia, e muito, viu? Sempre funcionou comigo para me safar de alguma represália às minhas provocações, e quando eu me esquecia desse "recurso", via de regra eu me estrepava todinho. Mas, seguindo o curso natural da vida no qual a gente estica, cresce, e vira adulto, esse recurso de pedir socorro e proteção ao pai para nos safarmos das ardilosas ciladas da vida, parece perder sentido e a vez.

Em muitos momentos da nossa vida adulta, sentimo-nos sozinhos para enfrentarmos nossos próprios medos. Parece-nos gigantes afrontando a nossa capacidade, nossa força e imaginação. Descobrimos em muitos desses momentos de perplexidade, que temos medo como tínhamos quando pequenos e que alguns deles esticaram, cresceram e tal como nós mesmos, viraram adultos. Mudaram de aparência, perderam sua invisibilidade de sob a cama ou de dentro do guarda-roupa e assumiram outras formas e manifestações para continuarem assombrando a fragilidade do nosso emocional diante das truculências desta geração e mesmo das solicitações dos dias modernos, cada vez maiores.

Muitos de nós, diante de tantas responsabilidades, tantos compromissos, tantos problemas para serem resolvidos, tantas dificuldades para se realizar pessoal e profissionalmente, tanta intolerância, tantas regras, tantas exceções as regras, tantas carências, tantas insatisfações, tantas incompreensões, enormes abismos que se apresentam diante da nossa caminhada, parecem despertar em nós, aqueles medos primitivos dos quais desaprendemos a lidar com eles. Nossos corações andam aos sobressaltos, cheios de expectativas, ansiosos, temerosos e não raras vezes, também angustiados pela insegurança que é viver estes dias de "gente grande". Não temos mais as pernas do pai para nos agarrar e nos sentirmos seguros e protegidos. Não temos mesmo, hein?

No versículo que citei no início desta postagem, DEUS estava interferindo diretamente aos medos do jovem líder Josué, que fora escolhido para levar o povo hebreu, pelas terras da palestina antiga, em direção a terra da promessa feita a Moisés. Não está no texto bíblico, mas acho que Josué ficou apavorado em ter tamanha responsabilidade, tamanho desafio, o de substituir o grande profeta e libertador Moisés.
Não era moleza não, né? Coisa de gelar o coração. Um abismo enorme parecia ter se aberto debaixo dos pés de Josué. Correr prá onde?

Ele correu para o Pai, e recebeu Dele o maior estímulo para assumir e continuar a missão dada a Moisés. E se a gente for observar direitinho a trajetória, a história de Josué, narrada no livro bíblico que leva o seu nome, vai perceber que Josué só pegou pedreira. Cada tribo que pegou no caminho que o queria destruir e cada situação de insatisfação interna do povo que liderava que só vendo prá crer, viu? Aquele estímulo, aquela voz do Senhor, sua presença, impregnou sua mente e motivou definitivamente o seu coração jovem, propulsionando-o através de todo o caminho.

Sabe, eu acredito mesmo que Josué tenha tido vários momentos em que o medo, a ansiedade, a angústia, e até o pavor, tenham rondado insistentemente o seu  coração ao longo da jornada, mas aquela certeza de que DEUS, O Pai estava indo junto com ele, o envolvia nestes momentos e ele prosseguia confiando e andando. Não é diferente hoje não, viu? O terreno do caminho que estamos caminhando neste chão de peregrinação, mais parece um "campo minado" pelo inimigo das nossas almas agindo livremente neste século transtornado. Eu quero ser como Josué, estimulado pelas promessas do Senhor da minha salvação, continuar caminhando firme e constante para o Reino da promessa do meu DEUS.

Caminhar crendo que apesar do meu medo, da minha ansiedade, da minha estúpida incredulidade, das minhas imperfeições, dos meus pavores internos,, minhas vulnerabilidades emocionais, minhas fraquezas, enfim, tudo o que sou, Aquele que prometeu é perfeito e forte para guardar os meus passos e livrar a minha alma da escuridão. Como está escrito:

"Todos podem ver como tu és bom e como proteges os que confiam em ti. Com a proteção da tua presença, tu os livras dos planos dos maus. Num esconderijo seguro, tu os escondes das ofensas dos seus inimigos. Louvado seja Deus, o SENHOR! Quando os meus inimigos me cercaram e me atacaram, ele mostrou, de modo maravilhoso, o seu amor por mim. Fiquei com medo e pensei que ele havia me expulsado da sua presença. Mas ele ouviu o meu grito quando o chamei pedindo ajuda. Amem o SENHOR, todos os que lhe são fiéis! Ele protege os que são sinceros, mas os orgulhosos ele castiga como merecem. Sejam fortes e tenham coragem, todos vocês que põem a sua esperança em Deus, o SENHOR!"

Tá com medo, hein?

Corra também para o colo do Pai, tá?

terça-feira, 22 de maio de 2012

O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER


Já está mais que na hora de tomarmos as rédeas das nossas vidas, mirarmos no exemplo do Único e verdadeiro Mestre, que é Jesus, e segui-lo honesta e sinceramente, com toda exclusividade, com toda alegria e com toda certeza. 

Há muita gente boa, crédula e sincera, que desatentamente, preguiçosamente, tem permitido que outras pessoas, outros "mestres" e líderes, direcionem e dirijam as suas vidas sem qualquer compromisso peculiar com ela.

Há muita gente assim que tem experimentado as frustrações e decepções por descobrirem que foram manipuladas e feitas de massa de manobra de alguma organização religiosa. Gente boa de Deus que abdica do privilégio da consulta, do estudo, da aferição dos discursos e das intenções, daqueles que se dizem portadores e representantes da "palavra de Deus."

Falo destes que, corrompendo e sendo corrompidos pelas vaidades deste mundo perverso, muitos destes ditos líderes têm servido de pedra de escanda-lo para com aqueles a quem dizem pastorear e servir.

A todo instante, pipoca nas mídias, denuncias que apontam uma evidência bíblica, de que nos últimos tempos da raça humana, haveriam muitos falsos líderes, que usurpariam da vocação sacerdotal para expandir-se marotamente, para "se dar bem" diante de seus seguidores, colaboradores, associados, patrocinadores e financiadores. Tudo o que se vê no tido profano no mundo das corporações, são também e cada vez mais, recursos e aplicações no meio tido como religioso, "gospel".

Quase não se dá para perceber quando se fala de um ou de outro, pois o "profano" e o "sagrado" se nivelam pela aparência do oportunismo e da ganância.

Não fosse o palavreado, os rituais, as liturgias do ambiente religioso destas pseudo organizações, os líderes em suas práticas e intenções mercantilistas, seriam facilmente confundidos com políticos ou maus empresários.

Alguém pode até não concordar se não quiser ver e crer em todas as evidências atuais e profetizadas desde a antiguidade. Todavia, se estiver disposto, curioso em examinar todas as mídias contemporâneas e confronta-las com o Evangelho de Deus, vai se surpreender com a atualidade, a clareza com que tais pessoas, tais situações aconteceriam
nos chamados, "últimos tempos."

Pois é onde estamos agora mesmo, com ambos os pés, enfiados nestes tais "últimos tempos" preditos nas Escrituras Sagradas. Só não vê quem não quer enxergar. Deve ser por isto que se diz que "o pior cego é aquele que não quer ver."

Faça um esforço e detenha-se por poucos instantes a ler e meditar sobre esta porção da Palavra de Deus, que menciona, entre muitos outros trechos bíblicos, a referência aos dias "apocalípticos" que estamos vivenciando.

"Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo: Misericórdia, paz e amor vos sejam multiplicados. Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos. Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo. Ora, quero lembrar-vos, se bem que já de uma vez para sempre soubestes tudo isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram; aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades. Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda Estes, porém, blasfemam de tudo o que não entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres irracionais, mesmo nisso se corrompem. Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré. Estes são os escolhidos em vossos ágapes, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas. Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram. Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências; e a sua boca diz coisas muito arrogantes, adulando pessoas por causa do interesse. Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais vos diziam: Nos últimos tempos haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões; são sensuais, e não têm o Espírito. Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E apiedai-vos de alguns que estão na dúvida, e salvai-os, arrebatando-os do fogo; e de outros tende misericórdia com temor, abominando até a túnica manchada pela carne. Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas, capítulo 1, versículos 1 ao 25)

Estas são exortações para que a amada igreja do Senhor, permaneça firme e constante, observando e examinando com critério e no Espírito, tudo que se fala, se vive, se pratica no seio da Igreja e ao redor dela.

Conferindo crédito ao que merece crédito. Observando-se a si mesma, para que não seja enganada e não seja ela mesma, iludida por qualquer outra doutrina que não seja o genuíno Evangelho da Graça.

Já perdemos o direito de errar nestes assuntos. Erramos antes por não examinarmos com critério as Escrituras, preferindo a ignorância das crendices, e dando ouvidos as fábulas antigas. Erramos ao permanecermos nos rudimentos da fé. Erramos ao insistirmos nas docilidades dos alimentos espirituais rasos e de conteúdo ralo, fraco, usado apenas para os novatos na fé. Estes, lamentavelmente, tem sido presas fáceis destes falsos líderes, enganados por falsas aparência de homens espirituais, isentos e imunes às práticas do lucro próprio, da impiedade, do engano, achando que estão igualmente impunes e imunes ao castigo do Senhor que e dá e tira, que julga e pune o praticante impenitente de todo o mal.

Mas o que dizer de alguns de nós, velhos na fé?

Se não somos enganados e não somos iludidos por todas essas doutrinas novas, açucaradas, plastificadas, surtadas de falsas demonstrações de espiritualidade, impregnadas de malícias e sensualidade. Se não somos atraídos pelas barganhas doutrinárias de prosperidade e autodeterminações. Se não somos participantes e financiadores destas práticas, desses cultos, destes shows extravagantes. Por que então permanecemos tímidos, calados, assistindo a tudo como se não pertencêssemos a Igreja Invisível, porém viva de Jesus, O Senhor. Será que novamente não estamos errando? Será que ficarmos vendo que homens e mulheres, decepcionados, frustrados pela resposta profetizada, que não se cumpriu, e pela cura milagrosa que não permaneceu, esvazia os templos e enche, engrossam as colunas dos "desigrejados"?

Será que criamos calos nas nádegas de tanto esfrega-las nos bancos envernizados o das nossas denominações e cristalizamos a indiferença e o cinismo, por acharmos que o Senhor tarda em sua volta? Será?

Será que ninguém mais se importa?

Por que será que os que enxergam não fazem nada?

Jesus mesmo alertou sua amada Igreja sobre eles:

"Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha." (Mateus 7: 15:-24)

Sejamos prudentes, sábios, analisando à luz da Palavra, o espírito, as intenções daqueles líderes que se autodenominam pastores, bispos, apóstolos, e que não dão os frutos do espírito, que acompanham aos bons pastores, seguidores do Bom Pastor.

Claro que antes de dizer para outros, digo a mim mesmo, e me pergunto a mim mesmo: Já não está passando da hora de tomarmos as rédeas da nossa Fé e seguirmos a vocação a qual fomos chamados em Jesus?

A Salvação é para cada um. É individual e intransferível. Logo, a responsabilidade também é individual. Não vamos entregar o nosso caminhar a quem não tem compromisso com O Caminho, com A Verdade e com a Vida Eterna, que é Jesus. O que podemos saber, compreender e seguir, está escrito, e bem escrito, nas Escrituras Sagradas, no Evangelho da Graça. Examinemos tudo e todos a Luz da Palavra, que a propósito, também é Jesus de Nazaré. Mas não permaneçamos acomodados e indiferentes, pois sejamos quentes e não mornos, para não sermos vomitados da boca do Senhor, tá bom?

Graça, paz e todo o bem do Senhor sejam com os amados irmãos peregrinos neste chão de aflições, mas que aguardam o estabelecimento dos novos céus e da nova terra, em Jesus. Amém.

"Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim." (Mateus 24:10-14)

domingo, 20 de maio de 2012

Até aonde vai o coração da gente?


Um pequeno dispositivo colocado no topo de uma caixa d'água é o que faz parar de encher a própria caixa e a impede de transbordar. Este dispositivo traz uma pequena boia na ponta de um arame, que ao ser tocado e levantado pelo nível da água que enche a caixa, aciona o registro e fecha o acesso da água. Este mecanismo simples, porém eficiente é igualmente acionado ao inverso, toda a vez que o nível da água baixa a boia desce junto e libera o registro que abre o acesso da água para encher novamente a caixa d'água.

"Até aonde vai o coração da gente?"

Vivemos dias destemperados. A realidade do que se vê não esta na consciência de todos e não é enxergada por todos da mesma maneira em que ela se apresenta. Logo, até mesmo a realidade, nestes dias destemperados, é relativizada e as mentes humanas se conectam com ela de forma diferente.

Um enxerga a realidade com entusiasmo e nela consegue perceber as oportunidades de se realizar e ser feliz. Já outro a percebe com desânimo e se desespera ao não encontrar as oportunidades para se realizar e igualmente ser feliz.

E então, qual é a diferença dessas realidades?

Não vou aqui dizer que conheço a resposta (se é que existe uma só resposta), mas eu vou me utilizar da "caixa d'água" como ilustração para dizer o que acho que acontece na mente da gente nestes dias destemperados, desatinados.

Boia no alto, significa que a caixa d'água está cheia. Tudo é realizado em plena capacidade. Pelos condutores/canos do sistema hidráulico a água flui com força e todo o sistema está irrigado plenamente. Em nós, toda as potencialidades estão "irrigadas" e nossos pensamentos e ações demonstram este bom estado de funcionamento da nossa mente e do nosso corpo. Agimos com entusiasmo e transformamos nossas potencialidades em realizações. Evidentemente, dependendo do conteúdo, da qualidade desta "água" a gente produz coisas boas ou más com facilidade, com eficiência.

Se estamos cheios de água contaminada, por água suja, o produto das nossas realizações também serão produtos contaminados e sujos, apesar de feitos com eficiência. Por outro lado, quanto mais baixo estiver o nível da água na caixa, mais fracamente se irrigará todo o sistema, fazendo com que as ações, as atitudes, revelem-se no produto final, nas nossas realizações. Este é o estado em que a boia está em baixo.

Nesta geração destemperada que estamos vivendo, uma grande parcela das pessoas está recebendo pouca água de boa qualidade em suas caixas. Há um espírito de desânimo, de derrota, desalento, baixa autoestima, frustrações, fobias de todos os tipos que têm contaminado as nossas caixas d'água e produzido mentes estranhas, desconectadas da realidade.

Há também, e cada vez mais, pessoas que estão com suas "boias" quebradas e com seus dispositivos de abrir e fechar o registro, danificados. E o que acontece então? Suas caixas d'água transbordam e continuam transbordando até que surtam, reproduzindo em suas atitudes, em seus comportamentos esta pressão danosa, este mal funcionamento. Suas mentes rompem com os limites e ultrapassam as "bordas" da caixa, ultrapassam as fronteiras da realidade em que estamos vivendo e criam uma outra realidade exclusiva e flutuante em suas mentes. No outro extremo, o esvaziamento gradativo e constante, mina as pressões necessárias que fazem fluir a água e irrigar o sistema, produzindo cada vez menos, até a prostração total.

Entendida a metáfora da caixa d'água e da boia, a gente pode compreender porque o mundo em que estamos e a geração que vivemos está enxergando a mesma realidade de modos diferentes e reagindo a ela de maneiras diferentes.

A caixa d'água representa a nossa mente, o nosso cérebro, a nossa consciência, as nossas emoções e percepções do mundo, o nosso "coração". Já a boia representa o senso critico, social e o freio moral, com os quais interagimos uns com os outros em sociedade, respeitando direitos e deveres estabelecidos. A água,...

E a água? Ah! A água!

"Até onde vai o coração da gente?"

A água é o que colocamos dentro das nossas caixas d'água. Se colocamos coisa boa, seremos irrigados de boas coisas e nossas atitudes, o nosso comportamento refletirá o nosso conteúdo, a nossa "boa água."

"Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes o entendimento. Pois eu vos dou boa doutrina; não abandoneis o meu ensino. Quando eu era filho aos pés de meu, pai, tenro e único em estima diante de minha mãe, ele me ensinava, e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive. Adquire a sabedoria, adquire o entendimento; não te esqueças nem te desvies das palavras da minha boca. Não a abandones, e ela te guardará; ama-a, e ela te preservará. A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis adquire o entendimento. Estima-a, e ela te exaltará; se a abraçares, ela te honrará. Ela dará à tua cabeça uma grinalda de graça; e uma coroa de glória te entregará. Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, para que se multipliquem os anos da tua vida. Eu te ensinei o caminho da sabedoria; guiei-te pelas veredas da retidão. Quando andares, não se embaraçarão os teus passos; e se correres, não tropeçarás. Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida. Não entres na vereda dos ímpios, nem andes pelo caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo. Pois não dormem, se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém. Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência. Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. O caminho dos ímpios é como a escuridão: não sabem eles em que tropeçam. Filho meu, atenta para as minhas palavras; inclina o teu ouvido às minhas instruções. Não se apartem elas de diante dos teus olhos; guarda-as dentro do teu coração. Porque são vida para os que as encontram, e saúde para todo o seu corpo. Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a malignidade da boca, e alonga de ti a perversidade dos lábios. Dirijam-se os teus olhos para a frente, e olhem as tuas pálpebras diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e serão seguros todos os teus caminhos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal." (Rei Salomão - Provérbios 4:1 - 27)

Qual é o tipo de "água" que tem preenchido a sua "caixa"?

Para onde sua "caixa d'água", teu coração está te levando?

Veja lá, hein?

quarta-feira, 28 de março de 2012

INVISIBILIDADES


"Assim somos todos nós seres IMORTAIS, pois somos ALMA, LUZ, DIVINOS, ETERNOS... Nós só morremos, quando somos simplesmente ESQUECIDOS..." (Sócrates)

Há quem diga, como se fosse um juramento, que vão nos amar para sempre. Prometem que haja o que houver, e em qualquer circunstância, que nunca se esquecerão de nós. Dizem, escrevem e até chegam ao ponto de tatuar nossas iniciais em seus corpos, como promessa de amizade para sempre. Oferecem-nos seus ombros amigos, sua simpatia, seus ouvidos e até se atrevem a esboçar alguns conselhos para a nossa vida. Durante algum tempo, são frequentes nos encontros sociais, nas festas e até mesmo, em algumas horas de tristeza. Solidarizam-se com as nossas preocupações e parecem se alegrarem com as nossas vitórias.

Ah! Nossas vitórias. Elas nos dão visibilidade, destacam-nos no meio do grupo e atrai a atenção, o interesse das pessoas em serem caronas do nosso eventual sucesso momentâneo. Muitos são como mariposas, que são atraídas pela luz, pelo brilho das outras pessoas. Quem nunca se sentiu rodeado por mariposas em algum momento de sucesso fugaz na vida, levantam as duas mãos!

Claro, muita gente já teve este tipo de experiência em seu meio social, em sua roda de amizades. Pois é muito mais comum do que se pode imaginar. Pessoas querem pegar uma beirada de visibilidade, um pouquinho da luz, da fama, do sucesso repentino que alguns de nós, por mérito ou pura "sorte", alcançou na vida. Para estes, nossa convivência é útil e necessária. Para estes, somos imprescindíveis, insubstituíveis, inesquecíveis. Uma aliança perene, um voto de lealdade eterna.

Então vem a vida impiedosa, e nos atropela. Interrompe, desligando o interruptor da nossa luz, e nos lança na escuridão do esquecimento.

Este é o momento que muitos temem, porém não podem evitar passar por ele. Porque ninguém, conscientemente, no pleno gozo das suas faculdades mentais, se lançaria, voluntariamente, neste limbo. Ninguém escolheria o fracasso. Ninguém se decidiria pela invisibilidade, o abandono, o esquecimento. Não, ninguém deliberadamente escolhe ser esquecido, tornado invisível.

Não podemos nos defender dos perrengues, do mal repentino, da calamidade e jamais, evitarmos o sofrimento, a dor e a morte. Mas afinal de contas, o que de repente nos trouxe a invisibilidade?

Apenas um erro. Quem sabe um deslize ou talvez um fracasso. Talvez porque se está desempregado. Quem sabe por que acabou o casamento que todos julgavam, idealizaram "perfeito". Talvez ainda uma enfermidade grave, um acidente, uma daquelas frequentes, porém sempre inesperadas peças que a vida aplica na gente. Uma depressão. Uma falência repentina, e até mesmo a morte prematura de alguém muito amada.

Sim, muitos podem ser os motivos pelos quais as pessoas perdem o interesse em nós e deixam de participar da nossa história. Sem dúvida, quem experimentou a "invisibilidade" imposta pelo existir neste chão, há de ter mil e uma outras razões para se achar esquecido por todos aqueles que eram presentes na "fartura". Talvez possa enumerá-los agora na falta, na ausência, no tempo da escassez.

"Amigo é alguém que se achega quando todo mundo se afasta."

Mas não há com o que nos preocuparmos ainda. O tempo, a vida ou então, a morte, sempre se encarregam de nivelar os homens e mulheres, os amigos e os adversários, ao final de tudo, quando as coisas são todas lançadas na invisibilidade da existência.