sábado, 6 de fevereiro de 2010

QUEM FALA O QUE QUER OUVE O QUE NÃO QUER




Cá entre nós, acho mesmo espantoso como o excesso de algumas qualidades, que se imagina seja o que se espera de qualquer pessoa, fica com aspectos de defeitos quando tentamos utiliza-las em excesso ou então, fora de seu contexto.

Pegou a ideia?
Pegou não?

Deixa então eu tentar me explicar, antes que eu acabe sendo sumariamente julgado por alguém mais estressado.

Por exemplo, a gente espera que as pessoas do nosso relacionamento, nossos parceiros e parceiras, nossos familiares e amigos, sejam sempre sinceros conosco, não é mesmo?



Da mesma maneira, temos preferência por aqueles que são francos conosco e nos digam tudo, exatamente tudo que pensam a respeito de coisas, das pessoas e até mesmo, de nós próprios.

Mas... (Olha aquele "mas" aí de novo gente!)

Aquilo que entendemos como uma virtude, expressada de forma absoluta e franca, via de regra causa mais transtornos do que benefícios aos relacionamentos.

Opa! Peraí! Não estou aqui fazendo nenhuma apologia a falsidade, viu?

Ao contrário, apenas quero ressaltar outras qualidades que precisam andar juntas, por exemplo, com a sinceridade e franqueza, para que estas não sejam encaradas como grosseria, indelicadeza e má educação. O que acaba gerando uma reação contrária ao que se desejava. Afinal de contas, "quem diz tudo o que quer, acaba ouvindo aquilo que não quer"!

Sinceridade e franqueza demais podem causar muitos transtornos e raramente encontram boa acolhida nos ouvidos de quem é o alvo da crítica, da análise. Assim é que é necessário a prudência e a moderação andem juntas com a sinceridade e a franqueza. Entendeu agora ou vou ter que desenhar, hein?

Principalmente as pessoas do nosso relacionamento mais íntimo, pela proximidade e convívio, costumam "exagerar" na sinceridade e acabam tornando a franqueza em desarmonias familiares e até mesmo rompimento de relações, simplesmente por uma questão de dosagem. Sim, porque o que diferencia o remédio do veneno, é tão somente a dose, não é mesmo?

Mesmo tendo plena certeza de que fui bem compreendido, assim mesmo vou tentar ilustrar isso que escrevi até aqui de uma maneira lúdica, tá bom?

Imaginem essa cena:




A mocinha e o rapaz estão apaixonados.
Garotão a convida para aquele inconfessável teste de praia, para conferir os "dotes" da sua amada.
Ele chega antes ao ponto combinado - está quase explodindo de ansiedade para ver sua musa pisar as mornas areias da praia, somente com seu maiozinho delicado, revelando em parte seus encantos a luz do sol brilhante. (Romântica essa frase, né não?)
De repente, uma moça, assim como eu diria, levemente acima do seu peso - fofinha, adentra as areias com um biquinininho de bolinhas amarelinhas tão pequenininho e com um sorriso do tamanho da lua cheia.
Aproxima-se do seu garotão e dispara aquela famosa pergunta, antes que o cara se recupere da primeira visão:
- "Rubenvaldo...O Que você achou do meu biquíni?" e completa sem piedade: - "Seja sincero, hein?"

Bem, melhor é deixarmos a imaginação rolar solta e finalizarmos a ilustração conforme cada um conseguir se enquadrar, né? Todavia, posso fazer algumas considerações a partir dessa tosca estória.



Posso... não posso? Vamos lá?

Se o rapaz possuir a qualidade de sinceridade e responder para a mocinha deslumbrada com toda franqueza, provavelmente o namoro tá na roça, né não?

Se o rapaz no entanto, possuir a virtude da prudência ele talvez dissesse algo parecido como?

- "Rubinéia...Querida, esse biquíni combinou com você."

Talvez isso fosse o suficiente para que o rapaz não fosse atropelado ali mesmo, ou talvez não, né!.

Agora, se o sujeito tivesse como principal qualidade a sabedoria, provavelmente ele responderia tão somente a pergunta. Algo parecido como?

- "Rubinéia! Que biquíni bacana esse hein? Comprou no Shopping?"

Pronto, a mocinha já iria passar o resto da tarde explicando tudinho como foi que comprou aquelas duas pecinhas. Detalhes e mais detalhes, tim-tim-por-tim-tim. Assim, quem sabe, o rapaz se safaria de dizer o que pensa do conjunto da obra. Só não sei se a estratégia irá funcionar sempre, né?

É possível que essas reações adversas só não aconteçam mais frequentemente em virtude do relativismo que emprestamos as qualidades. É provável ainda que o sentido absoluto das palavras estejam contidas apenas nos dicionários e que na prática, nas verdades nossas do dia-a-dia elas tenham adquirido outros significados. Talvez seja então que Franqueza demais seja entendida como grosseria e falta de educação.




Será?


O que você acha disso tudo?

OI??
Como assim?
O que?
Ah... se eu gostei do biquíni de bolinha amarelinha tão pequenininho ?
Bem...
Prá ser sincero... falando francamente...
Prefiro não comentar, viu?

"O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz."

2 comentários:

Sônia Brandão disse...

É sempre preciso saber dosar. Muitas vezes as pessoas pedem franqueza mas não esperam que realmente falemos o que pensamos.

Boa semana para você.
Paz e Bem!

glaurice disse...

Nem toda verdade deve ser dita, ser franco e ofender não vale a pena,sempre temos um jeitinho pra dizer o que o outro precisa ouvir, afinal somos brasileiros...Mas tirar vantagem em tudo esta fora de moda em pessoal....Esse seu bom homor é tudo!